Thunderstorm II – Capítulo 25

22 01 2012

25- Acordos

 [Coloque Holding on and letting go do Ross -  http://www.youtube.com/watch?v=eab8WrL--q8 ]

 


“Sabe o que a verdade tem de tão bom? Todo mundo sabe o que é mesmo tendo vivido sem ela. Ninguém esquece a verdade! Apenas mentem melhor.” – Foi apenas um sonho.

 

Jane e eu não andamos em nossa velocidade humana, ela deixou claro que estava meio perturbada com esta coisa de Alec e Paula. E isso não seria bom pra nenhum dos dois mais tarde. É claro que eu não deixaria ela nem se quer por o dedo – ou a dor -  na minha amiga, mas eu não queria arrumar briga com Jane, já que nós duas estávamos nos dando bem – por algum motivo que eu desconheço.

Eu estava tão absorta em pensamentos que nem olhei para onde estávamos indo. Só acordei realmente quando aquela voz soou em meus ouvidos.

-Vieram rápido. – Aro falou. – Agora pode nos deixar à sós, Jane.

Jane passou por mim sem nem me olhar e logo saiu da sala fechando a porta atrás de si. Dei uma olhada à minha volta e percebi que estávamos na biblioteca – que era bem maior que a biblioteca da minha cidade -, havia livros por todos os lugares e tudo parecia ter detalhes em ouro.

- As roupas lhe caíram muito bem, se me permite o elogio. – Aro falou e eu percebi que ele estava a um metro de distância de mim.

- Por que me chamou aqui? – perguntei esquecendo-me das roupas que eu pediria à ele pra trocar.

Ele pareceu meio ofendido no início, mas logo deixou a máscara cair e pareceu realmente não se importar com a minha pergunta meio rude.

- Gostaria de conhecê-la melhor. Já que vai ser membro da guarda Volturi…

- Há alguns pontos sobre isso que eu gostaria de por em pauta para que isso realmente se concretize – falei calmamente o interrompendo.

Aro me encarou curioso e deu um pequeno sorriso cercado de cinismo.

- Perdoe-me, mas achei que manter suas amigas vivas já era uma boa condição para que você aceitasse fazer parte do nosso clã.

- É claro que mantê-las vivas é uma importantíssima condição. Mas cá entre nós, Aro, não acho que seja preciso mantê-las aqui.

-Oh! Mas eu discordo completamente, Renesmee. Afinal, quem iria fazer companhia a você se não fossem elas? – ele perguntou e eu tive que me segurar para não pular e arrancar aquela cabeça sarcástica do seu corpo. – E elas também não parecem muito infelizes aqui. Você sabe que farei o possível para que vocês três sintam-se em casa.

Respirei fundo pensando no que eu teria que fazer para libertar minhas amigas. Ameaçar? Não, que tipo de coisa que eu tinha que serviria de ameaça? Pedir? Rebaixador. Mas eu ainda podia fazer um acordo. Mas que tipo de coisa eu tinha à trocar? Imediatamente me lembrei de um dos seriados que eu acompanhava “Supernatural”, onde os humanos faziam acordos com demônios, eles trocavam… anos.

- E se fizermos… um acordo? – sugeri com minha consciência gritando que o que eu estava fazendo era errado. Eu costumava ouvi-la, mas desta vez eu não tinha opções.

- Que tipo de acordo? – Aro pareceu se interessar.

- Você liberta minhas amigas vivas e em troca eu… faço algo que queira.

- É um acordo muito tentador, mas como terei certeza que cumprirá seu lado do acordo?

-Eu cumpro minhas palavras, Aro – rebati secamente.

-De qualquer modo, não posso deixar que suas duas amigas se vão. Seria impensado da minha parte. Escolha uma das duas e eu a libertarei…

- E a deixará à salvo em sua casa – completei.

- Sim. Ela estará segura. Contudo… – ele pareceu pensar por um minuto e depois me encarou com os olhos vermelhos brilhando inteligentemente. – Provavelmente os Cullen já estarão montando um pequeno exercito para vir lhe resgatar. Então, te darei alguns minutos ao telefone com eles para que você os impeça de fazer tal ato.

Estreitei meus olhos em desconfiança.

- E como acha que farei isso?

- Ora, conte-lhes a verdade. Diga que esta sendo muito bem tratada aqui e que não quer ficar mais com eles.

-Eles sabem que isso não é verdade. Todos me conhecem bem demais.

-Você já os deixou uma vez, minha querida. Tudo porque teve uma briga com seu imprinting. Faça-o crer que você não o quer mais. Todos sabemos que você é demais para um transfigurador, Renesmee. Tenho certeza que eles acreditarão que não quer ficar com eles mais se você não quiser mais seu imprinting.

Senti meu coração ser espremido por milhões de quilos e eu mal conseguia respirar. Eu queria gritar com Aro e lhe dizer que Jacob que era demais para mim e não o contrário. Eu queria negar a oferta que eu mesmo tinha proposto. Eu queria picar Aro em milhares de pedaçinhos, queimar cada parte de seu corpo e entregar sua cabeça aos lobisomens. Eu queria fazer tudo isso e muito mais, mas quando percebi minha voz já tinha sussurrado algo muito diferente.

- Mande Daniela de volta ao Brasil. Ligarei para os Cullen assim que ela estiver em um avião.

-Explendido! Mandarei Alec levá-la ao aeroporto agora mesmo.

-Espere! – Eu falei e Aro me olhou surpreso. – Eu só gostaria de falar com ela primeiro. Explicar por que eu a escolhi para ir.

- Como quiser, mas me certificarei que a mente de sua amiga está segura para mandá-la embora.

Apenas assenti e pude ver Jane já me esperando do lado da porta que agora estava aberta. Sai em silêncio e assim foi nossa jornada até a sala que minhas amigas estavam. Elas conversavam animadamente com Alec, mas assim que eu entrei pela porta minha cara me denunciou e todos pararam de falar no mesmo instante.

-Alec – Jane chamou num tom mais duro do que costumava usar com o irmão -, Aro está te chamando na biblioteca.

Alec assentiu e logo saiu em sua velocidade de vampiro. As meninas continuavam me olhando assustadas e eu sentei na cadeira que tinha ocupado antes. Senti minha garganta se fechar em um choro contido  e encarei minhas mãos. Eu ainda segurava firmemente a maçã que Alec me dera mais cedo, ela estava intacta em minhas mãos.

-Julia, o que houve? Você está bem? – ouvi Paula perguntando, mas parecia meio distante.

Segurei a maçã com minhas duas mãos e por ironia ela ficou como a capa do livro Crepúsculo. Com um rosnado eu taquei a maçã na parede fazendo com que ficasse um buraco na mesma e a fruta se despedaçasse. Senti minhas lágrimas saindo pelos meus olhos e uma voz começou a gritar na minha mente: Você não conseguiu. Não salvou suas duas amigas. Não conseguiu libertar as duas e agora teria que explicar à Paula porque a condenou a esta vida. E ainda terá que mentir para Jacob, para os Cullen e para sua família. Nunca os verá  novamente. Nunca os verá novamente.

-Julia, o que aconteceu! Está nos assustando. – Daniela continuou sua voz mais alta por causa do desespero.

-Eu falhei. – murmurei com a voz engasgada por causa do choro. – Só consegui salvar você, Daniela. Eu falhei.

Ouvi o coração de ambas aumentar o ritmo. Aquilo não era bom pra Paula, ela logo poderia desmaiar e eu não queria que isso acontecesse.

- O-o que quer dizer com isso? – Dani perguntou quase chorando também.

Ergui meu olhar para as duas e pude ver que Paula segurava a mão de Daniela fortemente. A pele das duas estava pálida e ambas estavam com a respiração sem ritmo.

- Aro me fez escolher uma para ir embora. – Olhei bem para Paula e pedi desculpas à ela mexendo apenas meus lábios – Eu escolhi Daniela. Você não pode viver longe de Seth.

O rosto de Dani se iluminou e eu fiquei feliz por ela pelo menos poder viver com seu imprinting. Paula se acalmou lentamente e eu pude ver que ela também não estava tão triste por eu não mandá-la de volta. Ela provavelmente estava gostando de Alec e não queria ficar longe dele.

-Daniela, vamos? – Alec chamou minha amiga.

Ela abraçou Paula e depois veio me abraçar.

- O que quer que eu diga para todos? – ela sussurrou, seus olhos já cheios de lágrimas.

- Nada – murmurei me lembrando que Aro revistaria a mente dela. – Não diga nada.

Ela franziu o cenho não entendendo e percebendo que eu não iria explicar ela soltou um pesado suspiro.

- Nos veremos logo. – Ela se virou para Paula. – Todas nós.

Não respondi nada, não queria mentir. Daniela saiu da sala e eu caí na cadeira com as mãos segurando meu rosto.

-Julia… – Paula me chamou chegando ao meu lado e eu percebi que havia voltado a chorar. – Não é só por causa de não ter conseguido minha liberdade que esta assim não é? Sabe, eu nem estou tão triste de ter ficado. Aqui tem você e o… Alec.

Neguei lentamente com a cabeça e a bati contra meu braço duas vezes antes de responder.

- Aro e eu fizemos um acordo. Para liberá-la eu vou ter que ligar para os Cullen e dizer que eu quero ficar aqui.

-Oh! Quer dizer que você vai ter que…- ela não terminou sua frase, partindo imediatamente para o que eu imaginei que ela diria. – Jú, meu Deus, sinto muito.

Olhei para ela por um segundo e a abracei deixando minhas lágrimas molharem seu vestido dourado. Paula não falou nada, ela apenas me abraçou também. Eu sabia que ela estava triste por mim e por ela. Minha amiga talvez nunca mais veria sua família, nem seus amigos, mas ela parecia ainda não ter percebido isso ainda. Talvez fosse sua aproximação com Alec… bem, ela parecia estar vendo o copo meio cheio, por mais clichê que esta frase fosse.

Me separei de Paula e nos sentamos em silêncio nos nossos respectivos lugares. Até que algo bateu em minha mente.

- Foi Daniela que lhe contou sobre o que realmente aconteceu em Forks? – perguntei remexendo num suco que havia colocado pra mim.

-Foi. Ela e o Alec me contaram tudo.

-Alec? – estranhei.

- É, ele me contou o que aconteceu quando Phelipe foi descoberto. Caius ficou uma fera, mas Marcus falou que vocês dois eram muito próximos e se quisessem a manter aqui seria necessário manter Phelipe vivo. – Ela pareceu pensar um pouco e franziu o cenho. – Jú, você não acha estranho Marcus estar intervindo em alguma coisa?

Dei de ombros. Eu já achava estranho Marcus me olhar com aquele estranho interesse quando cheguei aqui, mas agora estava comprovado que ele parecia ter algum tipo de… opinião quanto a minha estada em Volterra.

- Talvez ele apenas… hmmm… tá eu acho estranho também. Aliás, eu acho tudo isso muito estranho – sussurrei chegando mais perto de Paula para que ela me ouvisse. – Eles têm humanos trabalhando por todos os lados aqui, e é tudo muito grande, não é possível que o povo da cidade não saiba que existe praticamente um bairro embaixo deles. – Ela assentiu pensativa. – Eu acho tudo isso muito estranho e que tem muitas coisas mal explicadas aí isso tem.

- Eu concordo.

- Julia – ouvi alguém me chamando e percebi que era Phelipe.

Me levantei e soltei um pesado suspiro.

- Já está na hora? – ele assentiu e eu andei até a porta. – Tudo bem. Vamos lá.

- Eu posso ir também? – Paula perguntou se levantando também.

A encarei meio surpresa e vi Phelipe dando de ombros.

- Acho que não há nenhum problema – ele respondeu calmamente.

Enquanto andava pelos corredores eu sentia como se estivesse indo para uma cadeira elétrica por ter sido sentenciada a morte. Mas eu sabia que não era verdade. Eu não ia morrer – não fisicamente -, eu ia acabar com o que restava de esperança no meu coração e fazer o mesmo com as pessoas que eu amo.

Cada passo que dava parecia pesar mais do que eu podia carregar, meu coração parecia estar sendo esmagado à cada passada que eu dava me aproximando da sala onde eu ia acabar com tudo. Por que tinha que ser assim? Por que eu sempre acabava mentindo para aqueles que eu amava? Por que as mentiras sempre me guiam por mais que isso seja errado? Eu sempre fui uma mentira. Minha vida sempre foi uma mentira. E eram elas que iriam salvar à todos, era apenas por isso, pelo bem maior, que eu mentiria daquele modo pelo qual estava me preparando.

Phelipe abriu a porta e eu percebi que estávamos em uma sala que eu não havia ido ainda. Era pequena, possuía uma TV de plasma bem grande, alguns sofás e pufs e vários tapetes ao chão.

Na sala estavam Aro, Caius, Marcus – não entendi muito bem o que estes estavam fazendo ali, mas não estava em condições de pedir nenhuma explicação -, Jane e para a minha surpresa Alec. Olhei confusa para ele e depois para Aro, pedindo uma explicação.

- A manhã está muito ensolarada para que um de nós saísse. Mirela a acompanhou até o aeroporto. – Ele explicou calmamente como se não tivesse prestes a pedir uma simples garota de dezesseis anos que mentisse pra todos que amava e assim acabasse com o resto de sua infortuna eternidade.

Apenas assenti e fiquei em meu lugar esperando que alguém me levasse para a forca – já que era assim que eu me sentia, uma assassina que foi condenada injustamente.

Caius praticamente se materializou na minha frente com um telefone sem fio nas mãos. O encarei por um segundo; seus olhos vermelhos-escarlate transbordando maldade. Eu sabia o que ele esperava: estava esperando apenas que eu desistisse de tudo para assim poder acabar comigo. Por um minuto pensei em seguir seus planos, mas eu tinha ainda que assegurar que Paula estivesse a salvo, e quando isso acontecesse, bem, eu não teria mais motivos para tentar nadar contra a correnteza que aquele ser miserável era.

Peguei o telefone sem deixar que nossas peles se tocassem e desviei meu olhar do dele fitando o telefone preto na minha mão.

-Quando quiser. – Caius falou meio impaciente.

Olhei para todos à minha volta. À minha direita estavam Paula, Alec e Phelipe . Os três me lançaram olhares piedosos, eu sabia que não podiam fazer nada. À minha frente, um pouco mais próximo que meus amigos, estavam Aro, Caius e Marcus, este último tinha o olhar estranho, como se não tivesse acreditando que eu realmente iria fazer isso, enquanto os outros dois – apesar da máscara que Aro continha – estavam apenas esperando um deslize meu. Do outro lado da sala, Jane estava sozinha, ela não me olhava, parecia fugir do meu olhar. Eu achava que talvez ela podia estar se sentindo mal por mim, mas era muito leal ao seus mestres para tentar me ajudar de algum modo.

Soltei o ar pesadamente e disquei os números que estava familiarizada, eu queria ter tido tempo para pensar no que dizer assim que alguma voz falasse “alô” do outro lado da linha, mas o telefone tocou apenas uma vez e a voz que eu ouvi fez meu mundo todo cair em menos de um segundo e eu fui esmagada pela frieza. Depois de ouvi-lo eu me lembrei porque eu estava fazendo isso e procurei me agarrar neste motivo.

 

[Coloque Play e a deixe tocando até que chegue o Ponto de Vista da Daniela]

 

- Casa dos Cullen. – Edward atendeu o telefone com a voz apressada e preocupada.

- Pai? – eu murmurei sabendo que aquela talvez fosse minha última chance de chamá-lo de pai.

-Julia? – ele perguntou descrente, mas logo percebeu que era realmente eu. – Minha filha, onde você está?

- Estou com os Volturi.

-Oh! – Edward não parecia realmente surpreso. – Vamos te buscar agora mesmo. Conversarei com Aro e… – não deixei que ele continuasse.

Todos nós sabíamos que não bastaria conversar. Se isso bastasse eu não teria sido escondida por todos estes anos.

- Não.

- Não o quê?

- Não quero que venham. – As palavras arderam em minha garganta como se eu tivesse engolido facas.

-Como assim? – eu havia o deixado mais confuso ainda.

Olhei para Aro e percebi que ele estava apenas esperando, sem pressa. Já Caius estava impaciente.

- Eu estou bem aqui, Edward. Não quero voltar. E também não quero que venham me buscar. – Eu sentia a mentira em cada palavra. Eu nunca gostei muito de mentir, mas mentir daquele jeito era pior do que fazer algo que não se gosta, era como ser masoquista e se cortar aos poucos, arrancando cada pedaço que restava do seu coração.

-Desculpe, Julia, mas eu acho que não estou entendendo – sua voz estava grave e eu sabia que ela só ficava assim quando estava perto de um colapso.

Eu podia vê-los na sala enquanto eu dava a notícia. Todos parados em volta de Edward como estátuas gregas. Perfeitos demais para serem reais. Perfeitos demais para algum dia serem realmente minha família.

- O que não está entendendo? – eu perguntei minha voz quase feroz, eu estava começando a ficar com raiva, eu não podia ficar com eles. Eu não conseguia nem ficar em paz com os que eu amava. Por que? – Eu não posso voltar. Você não entende? Eu estou onde eu sempre deveria estar. Eles me entendem. Eles sabem quem eu sou e eles me querem assim. Está na hora de aceitar minha própria natureza Edward, e vocês não estão inclusos nela.

Eu sentia meu coração despedaçando-se com cada palavra que eu dizia. Eu podia sentir o gosto amargo da solidão conforme ela se solidificava ao meu redor. Eu podia sentir cada parte do meu ser gritar de dor. E então eu percebi o que significava todo o meu ser. Eu podia senti-lo ali. A parte que eu estava perdendo. Eu podia sentir a dor de Jacob mais gritante agora que a achei dentro de mim. Ela me deixou imersa por alguns segundos, até que a voz de Edward me acordou. E só havia ouvido sua voz daquela maneira uma vez: quando eu estava doente, e acreditava estar à beira da morte.

- Não pode ser verdade – ouvi sua voz um pouco mais longe, eu sabia que ele não estava falando comigo e sim com os outros.

-Estão a obrigando a fazer isso. Estão a obrigando a mentir. – Ouvi Emmett dizer.

Minha mente entrou em contradição; uma estava contente por Emm ter percebido a verdade, e outra queria que ninguém acreditasse nele, já que assim eles não viriam me buscar e ninguém mais precisaria se sacrificar.

-Ela não pode mentir para mim. – Ouvi uma voz grave mais longe ainda.

Tremi apenas por ouvir sua voz. Eu sabia que não podia mentir para Jacob. Lancei um olhar desesperado para os que me assistiam, mas eu sabia que ninguém ali iria me ajudar. Encarei o chão e respirei fundo quando o ouvi pegar o telefone da mão de Edward. Eu sabia que podia ser em vão, mas eu tinha que tentar.

- Julia? – ouvi sua voz e meu coração falhou por um instante.

Fechei meus olhos como se degustasse de uma bela barra de chocolate, mas eu sabia que chocolate nenhum poderia fazer o que Jacob fazia comigo.

- Jake – senti meu estômago dar voltas. – Espero que tenha ouvido tudo o que disse para Edward.

- Sim eu ouvi, mas… não faz sentido. Você nunca quis ficar com estes sanguessugas e…

- Agora eu quero, Jacob. Não vê? Este é o meu lugar. Não posso voltar. Eles… eles me entendem…

- Eu te entendo – ele me cortou, mas o ignorei.

- Eles realmente sabem como é ser diferente. Eu sempre me senti perdida aí, uma anormalidade no sonho perfeito que tudo sempre foi. Aqui é como estar em casa, eu sou… especial, assim como eles.

-Nós somos sua família, Julia. Nós te entendemos. Nós te amamos. E… eu sou seu imprinting, eu te amo acima de tudo.

Eu queria gritar para ele implorando para que parasse. Eu sabia de tudo o que ele me dissera e era por isso que eu estava fazendo aquilo. Senti minhas lágrimas saindo por meus olhos e parando sobre meus lábios. Elas queriam que eu parasse de mentir. Mas não foram o suficiente.

- E é por isso que me deixará ir. Você sabe que ficar aqui vai ser melhor para mim. Não pode lutar contra isso, Jacob. Por ser meu imprinting, você sabe que deve sempre fazer o melhor para mim.

-Sim, eu sei o que é melhor pra você, e com certeza não é ficar longe da sua família e de mim.

Eu precisava pensar em algo. Aquilo não estava adiantando nada, apenas me fazendo sofrer. Procurava algo em minha mente que ajudasse algo que o fizesse entender que eu não o queria mais, por mais mentira que isso fosse. Voltei nos livros pensando em modos de como machucá-lo. Voltei mais precisamente em Lua Nova, já que era ali que ele realmente aparecia. Por que ele havia aparecido? Bella queria que Jake concertasse as motos. Por que as motos? Bella precisava ver Edward, já que ele havia ido embora. E eu quase pude ouvir o estalo em minha cabeça enquanto organizava o que precisava.

- Jacob, eu não quero voltar para você e nem para os Cullen. – Falei de modo lento e preciso.

Todo meu corpo tremeu em resposta com o absurdo que eu havia acabado de dizer. Eu queria voltar para ele. Eu queria ser sua para sempre. Eu queria, mas não podia.

Houve uma pequena pausa, não ouvi nem mesmo minha família comentar algo. Eu queria que o Emmett falasse para Jacob que aquilo era mentira, mas ele não disse.

-Vocês, todos vocês, me criaram com mentiras. Onde já se viu? Me esconder em outro país, foi ridículo o que fizeram. – Eu sentia a raiva crescendo dentro de mim, mas era raiva pelo o que eu estava dizendo.

-Mas… nós te amamos. – Jake murmurou com a voz falha.

Eu estava conseguindo. Ele estava acreditando. Estava chegando o fim e desta vez seria de verdade.

- Eu chamei por vocês, Jake. Eu acreditei em vocês assim que comprei Crepúsculo. E vocês nunca tiveram o trabalho de dizer que eu não estava errada. Eu vivi na mentira e a culpa é de vocês. Está na hora de viver na verdade e é isso que os Volturi estão me oferecendo – a mentira já saia sem que eu pensasse nela.

Agora eu queria que tudo acabasse logo.

-Julia, por favor… você sabe que nós te amamos. Você sabe que eu te amo, mais que tudo.

Fechei meus olhos sentindo meu coração ser esmagado aos poucos. Eu também te amo, mais que tudo, mais do que a mim mesma, era o que eu queria dizer, era o que eu precisava dizer, mas àquela altura eu já ignorava meus pensamentos.

-Você não é bom o bastante para mim, Jacob. – falei as palavras que eu já conhecia, mas Lua Nova parecia um passado distante. –Sabe, aqui todos são tão especiais quanto eu. Isso me fez ver que eu estava no lugar errado, com as pessoas erradas.

-Eu… não… isso não é verdade e você sabe. – sim, eu sei, uma voz dentro de minha cabeça gritou. – Julia, por favor, eu não posso…

Ele não terminou a frase, mas não foi preciso. Por um segundo a imagem que eu mais temia veio a minha mente. Jake não ia superar isso. Assim como Bella, ele não iria aguentar. O desespero aumentou mais ainda, mas eu sabia como continuar.

- Eu… eu posso lhe pedir um favor, se não for demais?

Algum tempo passou, mas eu estava muito preocupada com a sua resposta para contar.

- O que quiser. – O ouvi murmurar do outro lado da linha.

Jake já não tinha mais forças para lutar, por um lado fiquei agradecida – eu também não tinha condições de lutar -, mas pelo outro lado aquilo me corroeu – por quanto tempo eu poderia ouvir a voz dele antes que tudo estivesse acabado?

-Não… – procurei me lembrar das palavras de Edward, mas minha mente estava fraquejando entre a realidade e a inércia. – Não faça nenhuma idiotice. Entendeu? – eu não me lembrava muito bem se era com estas palavras que isso foi ordenado tempos atrás, mas acho que isso era o máximo que minha mente conseguiu organizar. – Estou pensando na matilha e na sua família, é claro. Eles precisam de você. Cuide-se… por eles.

Ouvi algo como um soluço de choro do outro lado. Senti meu estômago embrulhar e minha garganta se fechar mais ainda, eu não podia nem soluçar, tudo o que me restava eram lágrimas silenciosas que escorriam pelas minhas bochechas.

- Vo-vou me cuidar. – Sua voz fraca tremeu.

- Em troca, eu prometo que não vou mais aparecer em sua vida. Você pode começar a envelhecer, ter uma família e se afastar deste mundo que você sempre odiou. Será como se eu nunca tivesse existido. – Falei, mas as palavras pareciam não ter som, apenas ecos do que Edward dissera à Bella uma vez.

-Você sabe que isso não vai acontecer. Você é meu imprinting. Se de algum modo eu tiver uma família será com você.

- Não. Eu já escolhi, Jacob – esperei por um tempo, mas ele não disse mais nada, ouvi apenas um soluço do outro lado e mais uma lágrima escorreu pelas minhas bochechas. – Bem, acho que você já compreendeu o que eu quis dizer. Então… adeus. – De toda a conversa a palavra que mais doeu foi aquela, ela cortou, despedaçou e massacrou meu coração – ou o que restava dele.

-Não! Por favor, eu te amo, não faça isso! – ouvi seu último apelo.

Eu também te amo, falei em pensamento e quando apertei o botão que estava escrito off do telefone não foi apenas o aparelho que eu desliguei, junto eu desliguei minha vida.

 

 

(Ponto de vista de Daniela Garcia)

 

Quão preocupado seu namorado lobisomem ficaria quando você fosse abduzida por vampiros? A preocupação de Seth era quase sólida em minha mente. E aquilo já estava me dando nos nervos. Droga! Por que Seth Clearwater tinha que ser tão preocupado? Tudo bem que estar com vampiros nunca foi muito legal, mas eles precisariam que eu ficasse viva para poder chantagear Julia. Não que eu ficasse feliz com isso.

E depois… Veio o alívio em minha mente. Eu pensei em ligar para Seth, mas depois lembrei que Alice já teria me visto chegando. Como eu amava o talento de minha “tia”. Diferente do que pensei, as passagens que me entregaram não eram para o Brasil, e sim para Port Angeles. Não reclamei, seria legal dar uma passada no meu cenário preferido antes de voltar pra casa.

Eu dormi praticamente a viagem inteira. Sempre tive um receio em aviões, afinal de contas, não tinham nenhuma cordinha mantendo-o no céu e ele era pesado demais para voar. Mas acho que estava com sono demais para pensar em possíveis (e impossíveis) modos para que ele caísse. Antes que pudesse perceber, já estava tendo um sonho feliz com qualquer coisa que não envolvesse um castelo subterrâneo – onde te obrigavam a usar roupas do século XVIII – e capas pretas.

 

Assim que eu realmente desembarquei – não tive que pegar minhas malas, já que não tive tempo para fazê-las -, senti dois braços fortes e musculosos me envolverem num abraço quente e cheio de saudades. Passei meus braços ao redor do pescoço de Seth, enquanto sentia que ele me tirava do chão e me apertava mais ainda – como se fosse possível.

- Ei! Vai me matar! – Eu disse em português quando consegui falar. Várias pessoas naquele aeroporto já haviam dirigido olhares repreendedores para nós.

- Eu estava com saudades. – Seth murmurou com a voz rouca, me colocando no chão. Segurei seu rosto entre minhas mãos e uni nossos lábios. Resolvi não dar atenção para as pessoas a nossa volta, elas não faziam idéia do momento mágico que eu estava tendo ali. Depois de aprofundar o beijo e – não – matar todas as saudades do meu namorado, resolvi que as pessoas daquele lugar já tinham tido uma boa dose “romance” naquele dia e afastei meus lábios dos dele.

- Eu também estava com saudades. – Murmurei com a respiração falha.

- Eca, já chega disso por hoje. – Eu ouvi uma voz feminina e rude perto de mim.

- Lee-Lee! – Gritei, me desgrudando de Seth e jogando os braços em volta de Leah, que por mais desdenhosa que fosse, correspondeu-o. Mas não durou muito, logo outra voz masculina encheu o ar.

- E eu não ganho nenhum abraço?

- Call! – Gritei, saindo do abraço de Leah e correndo para os braços do meu melhor amigo e – muito – musculoso Calleb. – O que você faz aqui? Deveria estar na escola. – Acusei – o, colocando um dedo em seu peito depois de mais um abraço.

- Digamos que… Tirei umas férias. – Ele disse, dando de ombros. Sorri abertamente. Só então notei uma pequena silhueta um pouco atrás, de cabeça baixa e cabelos espetados. Soltei-me de Call. Alice estava tão triste que senti vontade de abraçá-la e reconfortá-la no mesmo momento.

- Alice? – A chamei, me aproximando aos poucos.

- Saia daqui, você está fedendo a cachorro. – Ela disse, tentando brincar. Mas sua voz era tão triste que ninguém riu.

- O que aconteceu? – Perguntei, preocupada. – Se é por causa da Julia, tenho certeza que…

- Vamos para casa. – Fui interrompida por Seth, que colocou uma mão em minha cintura e começou a me guiar para o carro. Olhei-o com o rosto duvidoso. Julia estava bem e logo estaria em casa. Mas pude sentir a pontada da dor de Seth em minha mente.

Na volta para Forks, Seth me obrigou a sentar em seu colo. Ele realmente estava morrendo de saudades. Mas eu também estava então não me importei. Alice dirigiu, mantendo uma alta velocidade e os olhos perdidos na estrada. Achei que ela poderia estar segurando o choro – se conseguisse chorar. Call estava no banco do passageiro, ao seu lado. Podia não parecer, mas senti que meu amigo estava preocupado com ela. Leah foi ao meu lado no banco de trás, sempre com o vidro aberto e o nariz para fora do carro.

- Está acontecendo alguma coisa? – Murmurei para ninguém em especial, sabendo que todos me ouviriam.

Seth apertou os braços em minha volta, como se quisesse me proteger de algo.

- Espere chegarmos em casa. – Ele murmurou para mim, depositando um beijo em minha testa. Por que diabos a minha nuca se arrepiou toda, como se algo muito ruim fosse acontecer?

 

Assim que entramos na enorme e branca casa dos Cullen, Alice murmurou qualquer coisa e saiu, subindo as escadas para o segundo andar. Mas antes que eu pudesse ficar preocupada com ela, Carlisle entrou na sala com um pequeno sorriso no rosto, me deu as boas vindas e me ofereceu uma estadia em sua casa. A qual eu aceitei de bom grado.

- Carlisle? – O chamei novamente, quando ele ia se retirar. Eu não ia perder a oportunidade de saber o que estava acontecendo.

- Sim? – Ele respondeu cordial.

- O que está acontecendo? – Perguntei sem delongas.

- Sente-se.

 

Depois de me contar o porquê de todo aquele clima de enterro, eu senti que realmente alguém havia morrido. Mas que droga! Por que Julia resolvera ficar lá? Ela não estava nem um pouco feliz. Será que tinham feito algum tipo de lavagem cerebral nela enquanto conversava com Aro, Caius e Marcus?

- O mais estranho é que… – Ouvi uma voz de sinos do alto da escada, Alice as descia novamente. Seu tom de voz era de alguém que já tivesse pensado e repensado naquilo milhões de vezes, tentando encontrar uma resposta. – As palavras que ela usou são exatamente iguais as que Edward usou para dispensar Bella algum tempo atrás.

- Espere… – Murmurei, tentando pensar. Será que… Não, não podia ser possível. Mas… – Eu acho que entendi o que aconteceu…

About these ads

Ações

Information

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: