Thunderstorm – Capítulo 24

17 10 2010

e naaada do site voltar =/

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Adeus, Jacob Black

[Coloque para baixar The Kill do 30 Seconds to Mars (sem a participação da Pitty): http://www.youtube.com/watch?v=8yvGCAvOAfM&ob=av2n ]

Como eu imaginava, explicar aos outros o por que de eu ter que ir embora não foi nada fácil. O bom era que quando eu olhava para Rosalie, ela parecia me entender, o que me fez sentir melhor; ter alguém que via as coisas do mesmo modo que eu era quase… reconfortante. Mas no final da conversa, eu estava esgotada. Não chorava, mas sentia falta de ar apenas por vê-los sofrer. Logo depois passei o dia em meu quarto, não suportava ter que sair de lá e ver o olhar de todos.

Na hora do almoço, Rosalie entrou em meu quarto trazendo uma bandeja de comida e um sorriso encorajador no rosto. Ela colocou a bandeja na escrivaninha e sentou-se em minha cama. Saí do msn e virei a cadeira para ficar de frente para ela, imaginando que ela tinha algo a me dizer. Mas ela apenas andou em passos humanos até mim e me abraçou. Fiquei meio tonta e totalmente confusa por um segundo, mas depois a abracei também com todo o carinho que conseguia. Quando ela me soltou, colocou suas mãos em meus ombros e me olhou nos olhos.

-Obrigada. – ela falou simplesmente.

– Pelo o quê?

– Por não desperdiçar o resto de sua vida conosco. Você sabe, voltar a ser humana.

Assenti ainda confusa. Eu conhecia toda a história de Rosalie e sempre soube que se ela pudesse, daria tudo para voltar a ser humana. E eu a entendia, não na época em que li o livro, mas hoje em dia.

– Você parece ser a única feliz com a minha partida. – falei sem ver e logo depois me arrependi.

Ela sorriu e olhou para o chão.

-Não estou feliz com a sua ida, e sim com você ter feito a escolha que eu faria. Todos nós, Julia, vamos sentir muita a sua falta, mas também sabemos que assim você vai ser muito mais feliz. Então, ninguém vai te impedir de ir; ninguém vai te julgar.

Assenti e apertei meus lábios em uma linha única, sentindo o choro vir novamente. Ela se levantou e andou até a porta abrindo-a até a metade, mas não saiu do quarto.

-Edward, Bella e Alice foram caçar. É a única coisa que acalma Bella.E… houve um problema com as linhas telefônicas, então Esme e eu vamos à Forks para tentar ligar para o aeroporto. – Ela parou então de falar analisando minha expressão e depois levantou as sobrancelhas. – Está tudo certo, não é? Ou quer esperar mais algum tempo para pensar?

-Para quando vão comprar as passagens?

– Hm… amanhã ao amanhecer. Alice disse que vai estar com o céu nublado, então poderemos sair sem qualquer problema. Foi este o combinado, não foi? – ela perguntou se referindo ao acordo que fizemos mais cedo, enquanto eu contava aos Cullens por que eu iria embora.

-É. Foi este o acordo. – sussurrei.

Ela se virou e saiu do meu quarto me deixando sozinha.

Eu quase não toquei na comida. Meu estômago parecia começar a doer pelo fato de eu ficar tanto tempo sem comer. Fiquei olhando para a comida e tocando o garfo os pequenos grãos de arroz enquanto o tempo passava. Quando percebi já eram cinco horas da tarde e eu não havia comido nem um pouco da comida que já estava fria. Soltei um suspiro e saí do meu quarto levando a bandeja comigo. Andei até a cozinha lentamente e percebi que a casa estava silenciosa. Sabia que apenas Emmett e Jasper deveriam estar aqui, mas mesmo assim, senti falta das risadas fora de hora de Emmett e a calma que Jasper proporcionava. Deixei a bandeja sobre o balcão e joguei a comida no lixo para depois por o prato e o copo dentro da pia. Peguei um copo de água e saí da cozinha seguindo até a varanda. Enquanto dava um gole em meu copo, fiquei olhando a mata verde à minha frente. O vento frio da do inicio da noite tocou meu corpo fazendo-o se arrepiar. Me abracei com um dos braços, mas mesmo assim continuei com frio. Me perguntei se era um frio psicológico ou estava realmente tão frio quanto parecia. Mas então, de repente, meu corpo se esquentou e o vazio dentro de mim diminuiu. Mas apenas para aumentar de tamanho, e foi isso que aconteceu quando o vi. Correndo em seus movimentos perfeitamente sincronizados e seu corpo esguio e definido vindo para cá.

Jacob Black.

Ele veio até mim correndo, mas não subiu as escadas da varanda. Fiquei o encarando sem reação, enquanto ele fazia o mesmo. Sua respiração estava rápida e pesada e seu corpo estava apenas coberto por uma calça jeans gasta apesar do frio que a noite prometia.

O tempo que ficamos nos encarando sem dizer uma palavra se quer era tão confortável quanto desconfortável. Eu me sentia bem perto dele, mas também queria me manter longe, como se algo na minha mente apitasse gritando: Perigo! Perigo!

Talvez fosse só meu coração partido tentando salvar o pouco que sobrara dele.

-Julia… – ele sussurrou subindo um degrau da pequena escada que nos separava.

Sua voz foi como uma canção de ninar para meus ouvidos, eu queria ouvi-lo dizendo meu nome mais uma vez. Mas meu instinto de proteção me fez dar um passo para trás. Vendo minha reação Jacob parou de andar e soltou um suspiro pesado e cheio de dor.

– É verdade o que Bella me disse? Você vai realmente embora? – ele perguntou, sua voz novamente parecendo música para meus ouvidos.

Eu podia sentir sua dor e seu arrependimento em minha mente, mas não fiz nada, não havia nada a ser feito.

Assenti rapidamente; não tinha forças nem para respirar direito, quanto mais para falar alguma coisa.

Jacob fechou os olhos por alguns segundos e depois os abriu. Eu sentia falta de seus olhos, incrivelmente mais do que da sua voz.

– Julia, me desculpe. – Ele pediu enquanto subia em dois passos a escada e ficando à menos de um metro de distância de mim. – Olhe, tudo aquilo… eu não queria lhe falar tudo aquilo. Eu estava nervoso, fiz tudo sem pensar. Por favor, eu lhe imploro, me perdoe.

– Eu te perdôo. – falei rapidamente antes que ele continuasse com aquilo, eu não podia suportar.

Ele, que parecia pronto para me implorar mais, parou e me analisou surpreso por algum tempo. Nós dois sabíamos que era por causa do imprinting que eu o estava perdoando, mas não era só isso. Nosso amor nunca se resumiu só ao imprinting, talvez se fosse só isso não seria tão complicado.

– O que? O que disse?

– Que eu te perdôo. –Repeti.

Jacob piscou os olhos com força duas vezes.

– Quer dizer que me perdoa por tudo o que eu lhe disse, que não me odeia mais e que não vai mais embora?

– Eu lhe perdôo por tudo o que me disse. Eu nunca te odiei, Jacob. Mas eu vou embora. – respondi com calma pergunta por pergunta.

Eu tinha a estranha impressão que não estava pensando – ainda tonta pelo choque da visita – mas eu sabia, que por isso, estava sendo sincera, que por causa disso era o imprinting falando. E o imprinting, por mais que doesse só pensava na segurança e na felicidade da outra pessoa, independente do quão machucada eu ficaria para isso.

– Por que vai embora se não me odeia? Se eu não sou o motivo pela sua partida?

– Eu não disse que você não era o motivo pela minha partida. – a dor de Jacob apertou minha mente – Não totalmente.

– E não… entendo.

– O que não entende, Jacob? – Quase gritei, minha garganta ardendo para que eu voltasse a chorar. – Não entende que depois que você beijou a Leah tudo acabou? Não entende que nós dois devemos seguir em frente? Não entende que tudo aquilo que você me disse me machucou tanto que eu nem sei como ainda estou viva? Mas eu acho que só estou viva para que a cada vez que eu aspiro o ar eu lembre do que você me disse. É, deve ser isso. – falei com um ultimo suspiro.

Jacob ficou me olhando. Tentei decifrar o que seus olhos queriam me dizer, mas tudo o que eu pude descobrir era que eu tinha feito o sofrimento e o arrependimento aumentar, pois eu sentia isso em minha mente.

Ele abaixou os olhos e fitou seus pés.

– Não acho justo você me julgar por tudo dar errado. Não é culpa só minha – ele falou quase rude.

Bufei e cruzei meus braços em um aperto firme.

-O que esta fazendo aqui, Jacob? Veio me causar mais sofrimento? Parabéns! Você conseguiu.

Me virei e fui andando até a porta da frente.

-Não, Julia! – Jacob foi até mim e me segurou pela mão. Olhei rapidamente para nossas mãos juntas. – Por favor. Me desculpe. Não vá. – ele sussurrou.

Soltei minha mão da dele, sentindo meu coração protestar por fazer tal coisa.

-Adeus, Jacob Black. – murmurei e andei até a porta a fechando atrás de mim.

Achei que depois disso viria o silêncio. Me encostei na porta e fechei os olhos impedindo que as lágrimas saíssem. Senti a porta estremecer atrás de mim e fechei meus olhos.

-Você estava errada, Julia. Antes, quando disse que eu não a conhecia. Você estava errada. – Ele esperou uns segundo imaginando que eu fosse lhe dizer algo, mas permaneci em silêncio fitando o nada. – Eu sei tudo sobre você. Você acha que Edward foi o único que esteve com você várias vezes sem que você nem soubesse da nossa existência? Eu estive lá tantas vezes, em momentos que para mim poderiam ter sido minha ruína, mas eu sabia que seriam importantes para você, então eu queria estar presente.

Coloquei minha mão sobre minha boca e parei de respirar por algum tempo. Não ia chorar. Ouvi Jacob soltando um soluço e a porta estremeceu novamente com um novo soco.

-Julia! Responda! Você sabe que não é esta porta que vai me impedir! Julia! – ele começou a berrar enquanto esmurrava a porta.

Depois ouvi Emmett e Jasper gritando para ele parar com isso. E então, finalmente, o silêncio.

Ouvi passos até a sala e levantei meu rosto. Eles olhavam assustados sem saber o que fazer. Uma calma ameaçou me tomar, mas não foi o bastante. Minhas pernas tremiam e eu sabia que não conseguiria ficar muito tempo sem desmoronar.

-Jú… – Emmett ameaçou falar alguma coisa, mas calou-se quando percebeu que não havia nada a ser falado.

-Desculpe por isso – falei rápido e subi correndo para meu quarto.

Fechei a porta fazendo um barulho quase ensurdecedor, mas não me importei. Precisava despejar toda aquela dor em algo que não fossem lágrimas, pois percebi que elas não ajudavam em nada. Eu chorava, a dor não passava, mas era um modo de por tudo para fora; o único problema é que depois de eu ter chorado tudo, ainda chorava mais, então não resolvia nada; sempre haviam mais lágrimas, e eu estava cansada delas. Corri até meu notebook e liguei o som na primeira música com muita guitarra e bateria que vi e ela começou a encher o quarto com a voz do vocalista, imediatamente me senti mais tranqüila.

[Coloque play na música]

Fui até o meu armário e abri todas as portas, subi sobre uma cadeira e peguei minha mala gigantesca rosa no maleiro. Comecei a jogar todas as minhas roupas lá dentro sem dobrar, apenas fui tacando. Logo, com minha super velocidade, o armário estava vazio. Mas a música ainda não tinha acabado e nem minhas coisas. Subi novamente na cadeira e peguei minha outra mala e a joguei no chão. Comecei a guardar minhas coisas que estavam pelo quarto. Quando a música acabou eu percebi que estava ofegante e com sede. Fui até minha cama e me joguei lá, olhando para o teto por algum tempo percebi o que estava na minha cara há muito tempo. Eu estava fugindo; como um cão covarde eu estava fugindo do meu destino, sendo que eu sabia que um dia ia ter que enfrentá-lo. Engoli seco só de pensar nisso e fechei meus olhos. Desta vez, diferente das outras vezes não me veio nenhuma imagem à mente, apenas o negro por meus olhos não receberem luz alguma. Comecei a colocar as coisas em ordem, qual seria meu futuro quando pegasse o avião.

Chegar em São Paulo, ir para a casa dos meus primos, mentir sobre como a minha viagem foi boa para o meu aprendizado – sendo que a única coisa que eu havia aprendido era como lutar contra vampiros e lobisomens – no inglês e como eu tinha visitado diversos pontos turísticos. “Como foi morar em Forks, Julia? Deve ter imaginado que estava no livro, não é?” Uma das minhas amigas perguntaria quando eu fosse para a escola. Na hora do recreio eu iria ver aquele garoto maravilhoso do 2º ano que me lembrava tanto Jacob, ia mentir para mais algumas pessoas sobre o meu suposto “intercâmbio” para Forks, e depois, já na aula, eu ia ficar perdida em pensamentos desenhando na minha apostila desenhinhos que não tinham nada a ver com o momento, como corações – sendo que eu não devia mais amar ninguém, exceto Jacob – ou garotinhas na praia – sendo que lá fora estaria caindo uma forte chuva ou o frio estivesse quase congelando meus dedos. E no final? Eu me formaria, veria meus amigos indo para a faculdade, e eu ainda teria aquela doce carinha de quinze anos, enquanto, com o tempo, os garotos iam tendo barba e as garotas iam fazendo planos de fazer cirurgias para corrigirem seus rostos perfeitos de jovens que envelheceriam um dia. Não que eu quisesse envelhecer, ou que no final das contas meus amigos fossem viver mais experiências que eu; afinal, eu viveria por toda a eternidade enquanto praticamente todos não completariam um século. Mas teriam aquelas experiências que eu nunca teria. Eu nunca me desesperaria pelo aparecimento de uma ruga, ou teria que rezar para que minha menopausa nunca chegasse. Mas também, nunca envelheceria vendo meus netos correndo de um lado para o outro rindo de como eles eram mais rápidos que eu. Não, eu nunca teria um garotinho ou uma garotinha para ir dar boa noite ou ser acordada de madrugada porque ele teve um pesadelo sobre uma história que leu em um livro ou um filme. Não, eu nunca envelheceria. Não, eu nunca me casaria com meu verdadeiro amor. Não, eu nunca sofreria achando que aquele garoto que me traiu era minha alma gêmea, pois eu já havia achado meu príncipe encantado e eu o deixei, para que ele fosse feliz com outra. Não, eu nunca viveria milhares de experiências incríveis, mas meus amigos também nunca poderão dizer que acharam sua alma gêmea e ter a total certeza disso. Eu me privei de muitas coisas, mas mesmo assim, viverei muitas outras experiências que metade do mundo nunca sonhou em ter. Eu sei da existência de um mundo escondido pelos séculos, eu sou parte deste mundo, mesmo não querendo. Mas que diferença faria? Eu estava fugindo. Fugindo deste mundo para que eu pudesse viver naquele que todos conheciam e muitos deles não gostavam; como eu, no passado, quando tinha certeza que a todo momento estava no lugar errado. Eu não fazia idéia de o quanto estava certa. Aquele nunca foi meu mundo, não era para eu estar ali, junto com pessoas normais vivendo uma vida pacata e tediosa. Mas agora eu via, que aquele era o certo. Se não houvessem vampiros e lobisomens, o mundo seria totalmente daquele modo. E era aquele mundo que eu queria viver por um pouco mais de tempo. Eu queria poder viver tudo sabendo que era aquele último minuto. Só assim, eu saberia viver no meu verdadeiro mundo, com minha verdadeira espécie.

Então, era este o verdadeiro motivo de eu querer voltar para o Brasil. Não era Jacob, ou os Cullen. Era eu. Apenas eu. Suspirei mais tranqüila com aquilo. Mas então, se não era culpa de Jacob, por que eu o tratei tão mal?

Com um pulo me levantei da cama e percebi o que faltava para eu poder finalmente ir embora.
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