Plus Que Ma Prope Vie – Capítulo 50

1 11 2010

Quando A Vida Toma Seu Curso

 

POV Bella

 

 

Meus olhos se abriram com a persistente claridade que invadia o quarto, fazendo-me sentir um arrepio ao lembrar que dia era hoje.

Sorri involuntariamente ao notar o belo homem deitado ao meu lado – seu rosto sereno, de uma harmonia invejável – ressonando adoravelmente enquanto dormia.

Eu não o havia visto chegar pela madrugada, após a noite de sua despedida de solteiro.

 

Flashback ON

 

_Eu já sinto a sua falta… – sussurrei manhosa, enquanto o apertava contra meu peito.

_Eu não preciso ir… Posso ficar – respondeu, beijando calmamente meu pescoço.

_Acho melhor não… Por mais que eu queira ficar assim com você para sempre, Alice vai me matar e Emmett vai destruir nossa casa se você não aparecer.

Ele riu baixinho. Tanto eu quanto Edward estávamos sujeitos aos caprichos deles esta noite e, sinceramente, eu estava com medo.

Eu tinha medo, principalmente, do que Emmett fizesse o Edward… presenciar esta noite. Claro que ele não faria algo absolutamente absurdo, mas mesmo assim ele tem uma noção um pouco mais abrangente de divertido do que o meu senso gostaria.

Apesar de tudo isso, eu não discuti, principalmente quando Emmett mencionou – propositalmente, tenho certeza – que todos os homens gostavam dessa tradição. É óbvio que ele estava me manipulando e é ainda mais óbvio que deu certo.

_Você é quem sabe – Edward falou em um tom visivelmente divertido. Ele provavelmente já havia visto o que as irmãs dele planejavam para mim esta noite e se isso fosse, de alguma forma, embaraçoso eu iria matar Alice.

_O que você vai fazer esta noite? – eu perguntei só com meia voz; na verdade eu não queria saber, mas precisava.

_Eu não sei – senti a frustração no tom dele – Emmett foi absolutamente cauteloso com seus pensamentos perto de mim.

_Bem vindo ao meu mundo – falei um pouco rabugenta, fazendo-o rir, acompanhando-o em seguida.

Então, puxei seu rosto contra o meu, beijando-o apaixonadamente.

Era noite – devia se passar das oito – e estávamos em deitados na cama, apenas à luz do luar, enquanto sentíamos a brisa quente californiana adentrar o quarto e tocar agradavelmente nossa pele.

O caloroso beijo foi se extinguindo aos poucos, até que suspirei, separando nossos lábios e deixando minha cabeça cair no macio travesseiro. Eu abri meus olhos e encontrei os dele abertos também, fixados em meu rosto – não fazia sentido ele me olhar daquele jeito, como se eu fosse o prêmio ao invés da ganhadora sortuda.

Encaramo-nos por um momento – seus olhos incrivelmente verdes estavam tão profundos que era quase como se eu pudesse ver sua alma, a qual era a mais bonita que eu já vira – mais do que sua mente brilhante ou seu rosto incomparável e seu glorioso corpo.

Ele olhou de volta para mim, como se ele também pudesse ver minha alma, e estivesse gostando do que via.

Não resisti, e puxei seu rosto mais uma vez para perto do meu.

_Definitivamente, vou ficar!

Ri alto, beijando-o outra vez, o qual foi interrompido por um grunhido seu.

_O que foi? – perguntei.

_Alice está chegando – falou insatisfeito.

_E Emmett? – eu pedi esperançosa em saber que eu não era a única insatisfeita com os planos, pela primeira vez.

_Ele está me esperando em casa.

_Que bom – eu resmunguei e, a muito contragosto, levantei-me do aconchego dos seus braços – Já que eu vou fazer isso, pelo menos vou fazer direito, até porque se Alice me vir assim ela vai ter uma convulsão.

Ele riu, enquanto eu seguia em direção do closet e procurava por algo melhor que meu short e regata para vestir.

_Você está sempre linda.

Ficamos em silêncio por alguns instantes e assim que me despi, ficando apenas de lingerie a fim de colocar um vestido, senti Edward me puxar de volta para a cama.

_Ok, você me convenceu, eu não vou – falei com um meio sorriso, jogando o vestido delicado ao lado da cama e enlaçando meus braços ao redor do seu pescoço, enquanto sentia-o pontilhar beijos na minha mandíbula.

Suspirei quando ele sorriu contra a pele do meu pescoço e me fez arrepiar.

_Você é muito injusto – murmurei em um tom falsamente bravo.

_Você que é injusta – respondeu, passando a ponta do seu nariz pelos meus cabelos e moldando meu pescoço com a sua boca macia – Você fica absolutamente irresistível quando está com raiva. Na verdade você sempre é absolutamente irresistível.

Eu mal conseguia me lembrar porque eu havia estado brava alguns segundos atrás. Eu fechei meus olhos e tentava não hiperventilar enquanto sentia os lábios do Edward no meu pescoço, a ponta dos seus dedos passeando pelo meu braço.

_Ern… – a minha capacidade de formular frases quando eu estou perto dele decai pela metade – Você fala como se não fosse eu a pessoa mais sortuda do mundo – eu consegui falar meio embaralhado antes de estremecer com um arrepio; a sua boca tinha atingido o ponto abaixo da minha orelha – Pare de fazer isso – eu resmunguei em um tom que variava de frustração absoluta para a incredulidade das minhas próprias palavras.

Ele parou imediatamente.

_O que foi, amor? – ele parecia achar que tinha feito algo errado, como se ele pudesse fazer qualquer coisa abaixo da linha da perfeição absoluta.

_Se você não vai terminar, pare de me provocar – eu falei meio raivosa, ouvindo-o gargalhar.

_Só não termino porque não iria dar tempo – sussurrou, beijando levemente a pontinha do meu nariz – Aliás, Alice chegou – ele explicou e me beijou levemente nos lábios – Eu vou deixar você se arrumar senão eu estarei morto se eu te atrasar.

_Suas piadas são péssimas – eu falei mal-humorada, e ele riu enquanto saía pela porta.

Eu grunhi e comecei a trocar de roupa, e eu pude ouvir meu futuro marido falando com minha melhor amiga no andar de baixo e sair logo depois.

O restante da minha noite foi bem melhor do que esperava. Fiz compras com Alice e Rose – os bebês haviam ficado com Esme – e voltamos um pouco mais da meia noite. Voltei para casa e Edward ainda não havia retornado. Após esperar um pouco, acabei caindo no sono.

 

Flashback OFF

Fitei novamente meu noivo, olhando no relógio em seguida e notando ser quase nove da manhã. Beijei suavemente os lábios entreabertos dele, sentindo a textura macia e o sabor entorpecente. Resolvi deixá-lo descansar, seguindo para a cozinha e preparando o café da manhã.

Optei por preparar ovos mexidos, entretanto, no momento em que abri a geladeira e senti o cheiro de frango que vinha de dentro dela, senti meu estômago embrulhar. Corri para o banheiro mais próximo, despejando toda a comida do dia anterior.

Ainda agachada pude sentir fortes braços me segurando ansiosamente e mantendo meus cabelos longe do meu rosto, esperando até eu poder respirar de novo.

_Droga de frango estragado – lamentei.

_Você está bem? – a voz de Edward era tensa.

_Estou – eu ofeguei.

Ele me ajudou gentilmente a lavar a boca, carregando-me para o sofá da sala de visita, segurando meus braços.

_É apenas um sintoma da gravidez, amor – murmurou amorosamente, colocando sua mão molhada sobre a minha testa. A sensação foi ótima – Como você se sente agora?

Eu pensei sobre isso por um momento. A náusea tinha passado tão subitamente quanto tinha aparecido, e eu me sentia como em qualquer outra manhã.

_Bem normal. Com um pouco de fome, na verdade.

Ele me fez esperar uma hora e beber um grande copo d’água antes de ele fritar alguns ovos.

_Que horas chegou ontem? – perguntei enquanto assistíamos algo na CNN, na TV da sala de estar.

O casamento, apesar de ser hoje, estava praticamente todo organizado, o que fazia com que eu e Edward tivéssemos um tempinho a sós, agora pela manhã.

_Quase três – respondeu, aconchegando-me em seu peito – Mão te chamei porque não queria te acordar. Desculpe.

_Não tem problema, mas se você quiser se desculpar mesmo eu tenho certeza que vai pensar em algum jeito – eu corei e ele riu.

_O que eu vou fazer com você, Bella? – ele murmurou falsamente indignado enquanto passeava os seus lábios perfeitos na minha testa.

_Você não vai querer saber – eu falei meio soturna e ele riu no meu ouvido. Todo um arrepio passou pela minha coluna.

_Como foram as compras? – ele perguntou, os dedos passeando pelos meus braços como sempre e a sua boca contra o meu cabelo.

_Exaustivas – eu falei somente – E o que você fez?

Ele suspirou brevemente.

_Vindo do Emmett eu não acho que poderia esperar nada diferente. Obviamente ele tentou me levar para um clube de strip-tease – ele falou com uma voz de incredulidade – Claro que no momento que eu vi isso na mente dele eu recusei efusivamente. Então eles me arrastaram para…

_Edward – eu falei somente e ele entendeu a censura.

Eu o senti torcendo os lábios contra a parte de trás do meu pescoço.

_Ok, eu realmente não sabia que era um strip-club até a mulher começar a tirar a roupa na minha frente – ele resmungou a contragosto e eu endureci imediatamente – Bella, não. Quando eu vi o que ela estava fazendo eu saí dali imediatamente. Eu juro, eu…

Eu tampei a minha boca com a mão enquanto me chacoalhava nos braços dele, morrendo de rir.

_Eu… Sinto… Muito… Edward – eu falei entre arfadas – É só que… A sua cara deve ter sido impagável. Desculpa – eu acrescentei rapidamente.

_Eu achei que você ia ficar brava – ele falou e o seu tom era indecifrável.

_Eu estou morrendo de ciúmes – eu acenei com a cabeça – Mas Emmett te enganou direitinho; a sua cara deve ter ficado muito raivosa. Coitada da… mulher. Ela deve ter pensando que tinha alguma coisa de errado com ela – eu ponderei enquanto me abraçava mais nele.

Edward resmungou alguma coisa que eu não entendi antes de continuar a contar.

_Depois que eu soquei Emmett, a gente foi caçar. Tinha um leão da montanha verdadeiramente enorme – ele sorriu – Desculpa – acrescentou.

_Não precisa se desculpar, Edward – eu revirei os olhos.

Ele não falou nada, apenas beijou a minha cabeça, enquanto continuávamos a assistir o telejornal, mas algo começou a me incomodar. Eu sabia que isso me faria uma daquelas adolescentes de filmes, mas eu simplesmente não pude evitar a pergunta.

_Edward, ela era bonita? – afundei minha cara na almofada e ele riu.

 

[…]

 

 

_Ah, que inferno! Olhe seus olhos! – Alice reclamou assim que me viu.

Eu havia acabado de chegar à casa dos Cullen com Edward – que acabara de ser recrutado pelos irmãos – e minha cunhada nanica resolveu dar um piti ao ver minhas olheiras enquanto subíamos as escadas da varanda.

_Consequências de ter um bebê dentro de você – expliquei, sorrindo de canto, acariciando levemente minha barriga – Parece que nunca durmo o suficiente.

_Ok – suspirou, também sorrindo – Pelo menos você vai ter bastante tempo para dormir no avião amanhã.

Eu ergui uma sobrancelha. Amanhã, eu pensei. Se nós formos embora depois da festa ainda estaríamos no avião amanhã à noite… Bem, não estávamos indo para Nova York ou Miami, então.

Edward não tinha dado nenhuma pista até agora. Eu não estava tão estressada com o mistério, mas era estranho não saber onde eu iria dormir na noite seguinte. Ou, esperançosamente, não dormindo…

Alice percebeu que ela tinha me dado uma dica, e franziu a testa.

– Você já está com as malas preparadas e prontas – ela disse para me distrair, piscando um de seus olhos verde escuro. Funcionou.

_Alice, eu queria que você me deixasse preparar minhas próprias malas!

_Teria dado muitas pistas.

Revirei os olhos, dando a guerra como encerrada.

_Bem – mudei de assunto – estou vendo que você re-aproveitou a decoração da formatura.

Os seis quilômetros da estrada estavam novamente envoltos em milhares de luzinhas. Dessa vez, ela adicionou arcos de cetim branco.

_Não queria desperdiçar. Aproveite, porque você não verá a decoração de dentro até que esteja na hora.

_Ah, não, Alice! – reclamei quando senti suas pequenas mãos taparem meus olhos – Desde quando a noiva não pode ver a decoração?

_Desde que ela me colocou no comando. Quero que você tenha o impacto completo quando descer as escadas.

Dei-me por vencida, sendo guiada pela Alice até o andar de cima, não deixando de sentir as fragrâncias sutis que dominavam toda a grande casa.

_Cascas de laranja… Lilás… E alguma coisa a mais. Estou certa? – tentei decifrar.

_Muito bom, Bella. Só esqueceu da freesia e das rosas.

Ao chegarmos ao grande banheiro do antigo quarto de Edward, logo sentei na confortável cadeira e deixei a metida à maquiadora trabalhar em mim.

Horas mais tarde, uma linda Rosalie adentrou o cômodo, trajando um curto vestido azul. Ela fez meu penteado logo em seguida.

Uma vez que Rose recebeu as recomendações de Alice sobre meu cabelo, ela saiu para pegar meu vestido e localizar Jasper, que tinha sido designado para pegar minha mãe e seu marido, Phil, no hotel. Lá embaixo, eu podia ouvir a porta se abrindo e se fechando várias vezes. Vozes começaram a se aproximar.

Alice me fez levantar e ir para o quarto para que ela pudesse colocar o vestido por cima de meu cabelo e maquiagem. Meus joelhos tremeram tão forte quando ela fechou os botões de pérola nas minhas costas que o cetim caiu em pequenas ondas pelo chão.

_Pronto – escutei Esme dizendo, enquanto pousava maternalmente as mãos em meus ombros.

Eu podia ver o sorriso sereno dela através do reflexo do espelho, assim como notei que ela e Alice trocaram um olhar discreto, que fez com que minha irmã se contivesse, ainda que momentaneamente, em algum rompante entusiasmado.

Se eu não soubesse que Edward era o único capaz de ler pensamentos na família, poderia imaginar que algo assim teria acontecido entre as duas.

_Vou me vestir agora– Alice falou – Consegue se segurar por dois minutos?

_Ah… Talvez?

Ela revirou os olhos e saiu pela porta.

_Ah, Bella! – ouvi minha mãe gritar, emocionada, antes que ela tivesse passado pela porta – Ah, querida, você está maravilhosa! Ah, eu vou chorar! Onde você achou esse vestido? É lindo! Tão gracioso, tão elegante – A voz de minha mãe pareceu um pouco distante, e tudo no quarto era um fraco borrão – Uma idéia tão criativa, fazendo o tema do vestido baseado no anel de Bella. Tão romântico! E pensar que está na família

de Edward desde os anos 1900!

Esme e eu trocamos um olhar breve e conspiratório. Minha mãe estava sem noção do estilo do vestido por mais de cem anos. O casamento estava, na verdade, centrado não no anel, mas no próprio Edward.

Houve um pigarro na porta.

_Renée, é hora de você descer – Charlie disse.

_Bom, Charlie, como você está arrojado! – Renée disse em um tom que era quase choque.

Talvez isso tenha explicado a rigidez na resposta de Charlie.

_Alice me pegou.

_Já está na hora mesmo? – Renée disse para si mesma, parecia quase tão nervosa quanto eu me sentia – Isso tudo foi tão rápido. Sinto-me tonta.

Minha mãe me apertou gentilmente em sua cintura, então se virou para a porta, só para terminar a volta e me olhar de novo.

_Ah, meu Deus, quase esqueci! Charlie, onde está a caixa?

Meu pai procurou em seu bolso por um minuto e então tirou uma pequena caixa preta de veludo e a entregou a Renée, que levantou a tampa e entregou para mim.

_Alguma coisa azul – ela disse.

Dentro da caixa havia duas presilhas de cabelo. Safiras azuis escuras estavam incrustadas em complicados desenhos florais em cima dos prendedores.

Minha garganta ficou apertada.

_Mãe, pai… Vocês não precisavam.

_Alice não nos deixou fazer mais nada – Renée disse – Toda vez que a gente tentava, ela praticamente arrancava as nossas gargantas.

Uma gargalhada histérica saiu pelos meus lábios.

Esme veio para frente e rapidamente deslizou as presilhas em meus cabelos, logo abaixo das tranças grossas.

Instantes mais tarde, meu pai e mãe desceram e Alice retornou ao quarto num vestido que caia pelo seu corpo magro.

_Alice, uau.

_Não é nada. Ninguém vai olhar para mim hoje. Não enquanto você estiver no salão.

_Há-Há.

_Agora, você está sob controle ou eu preciso trazer Jasper aqui?

_Acho que estou legal…

Ela riu.

_Bom, tradição pede que a noiva use uma coisa antiga, uma azul, uma nova e uma emprestada – minha futura sogra começou com uma voz tão delicada que parecia ter saído dos lábios de um querubim.

Eu assenti, olhando de relance para a superfície da penteadeira onde o anel de noivado que também pertencera à falecida mãe de Edward estava.

_Já temos a coisa velha – sorri, colocando a aliança em meu dedo.

_Coisa azul: as presilhas – Esme notou, sorrindo.

_Um pouco de cor! – exclamou Alice – São lindas!

_E o seu vestido é novo… – a mãe de meu noivo acrescentou.

_Então, aqui… – minha pequena fadinha jogou alguma coisa para mim.

Eu levantei minhas mãos automaticamente e a liga branca translúcida caiu na minha mão.

_Isso é meu e eu quero de volta – Alice me disse.

Eu fiquei vermelha quando ela arrancou a liga das minhas mãos e se enfiou embaixo da minha saia. Eu resfoleguei e cambaleei enquanto suas mão seguravam o meu calcanhar; ela enfiou a liga no lugar.

Esme beijou minha testa, indo para o primeiro andar. Logo, Charlie retornou com dois buquês cheios de flores brancas. O cheiro de rosas, flores de laranjeira e freesia me cercou numa suave mistura.

Rosalie – a melhor música da família depois de Edward – começou a tocar piano no andar de baixo. Pachelbel’s Cânon soou e eu comecei a hiperventilar.

_Calma, Bells… Esse nervoso não fará bem pro meu netinho – Charlie disse. Ele se virou nervosamente pra Alice – Ela parece um pouco enjoada. Você acha que ela vai conseguir?

A voz dele soou longe. Eu não conseguia sentir minhas pernas.

_É melhor que consiga.

Alice ficou bem na minha frente, na ponta dos pés pra me olhar nos olhos mais facilmente, e agarrou meus pulsos.

_Concentre-se, Bella. Edward está te esperando lá embaixo.

Eu respirei profundamente, tentando me recompor.

A música mudou lentamente para outra música. Charlie me cutucou.

_Bells, é a nossa vez.

_Bella? – Alice perguntou, ainda me olhando nos olhos.

_Sim – eu guinchei – Edward. Tudo bem – Eu deixei que ela me tirasse do quarto, com Charlie agarrado em meu cotovelo.

A música estava mais alta no corredor. Eu flutuei nas escadas junto com as fragrâncias das milhões de flores. Eu me concentrei da idéia de Edward me esperando lá embaixo pra fazer os meus pés se moverem.

A música era familiar, uma marcha tradicional de Wagner cercada por um monte de embelezamentos.

_É a minha vez – Alice sorriu – Conte até cinco e me siga – Ela começou a descer as escadas lenta e graciosamente.

_Então… – Charlie começou a falar, enlaçando meu braço do dele – Ainda dá tempo de desistir.

_Há-há-há… Muito engraçado, pai. Muito engraçado – eu fingi uma risada ante ao comentário sarcástico de Charlie.

_A esperança é a última que morre – ele falou mais uma vez.

Minha resposta foi revirar os olhos. Sabia que Charlie estava brincando.

Um súbito ruído de juntou à música. Eu reconheci a minha deixa.

_Não me deixe cair, pai – eu sussurrei.

Charlie pôs a minha mão em seu braço e a apertou com força.

Eu não ergui meus olhos até que os meus pés estavam seguros no chão, apesar de conseguir ouvir os murmúrios e ruídos da platéia enquanto eu aparecia. O sangue subiu para o meu rosto por causa do som; é claro que já se esperava que eu fosse uma noiva corada.

Assim que os meus pés tinham vencido as escadas traiçoeiras, eu estava procurando por ele.

Por um breve segundo, eu fiquei distraída com a profusão de botões de flores brancas que pendiam de guirlandas em qualquer parte da sala que não estivesse viva, caindo em longas filas de leves laços brancos. Entretanto, eu separei meus olhos dos arcos das portas e procurei pelas fileiras de cadeiras cobertas de cetim – ficando ainda mais vermelha quando vi a multidão de rostos olhando para mim –, até que eu finalmente o encontrei, de pé perto de um vaso com mais flores ainda, e

mais laços.

Eu mal tinha consciência de Carlisle de pé ao lado dele, e de Emmett atrás deles dois. Eu não vi minha mãe de onde ela devia estar sentada na primeira fileira, nem a minha família nova, ou nenhum dos meus convidados – eles teriam que esperar até mais tarde.

Quando estávamos no meio do caminho eu encarei Edward. E foi naquele momento que meu medo sumiu, porque ele estava ali. Ele não me abandonara e nem parecia pensar nisso. Seu sorriso era radiante e contagiante, os olhos verdes mesmo a distância brilhavam forte e seu rosto resplandecia de amor.

Meus olhos encontraram as esmeraldas que eram as íris de Edward e eu tive um lapso momentâneo na minha resolução de continuar respirando. Repentinamente pareceu muito fácil mover um pé na frente do outro para caminhar até o meu anjo.

Edward exercia essa atração irrefreável sobre mim, como se cada célula do meu corpo gritasse por ele, cantasse por ele.

La tua cantante.”

Quando me aproximei de Edward e senti os dedos dele envolvendo os meus, o mundo ao meu redor desapareceu completamente. E quando percebi, ele já estava na minha frente, me recebendo de meu pai e me levando para o altar.

Edward apenas me olhou, sem dizer nada.

_Edward? – sussurrei, tentando tirá-lo do transe.

_Você é a coisa mais linda que meus olhos já viram ou jamais virão.

Sorri, com meus olhos marejados, sibilando um “obrigada” inaudível. Até que um inquieto Emmett padre, nos interrompeu baixinho:

_ Que tal vocês dois virem aqui e me deixarem fazer o meu trabalho? Eu passei duas horas num intensivo treino online para virar um padre certificado. Pelo menos me deixem mostrar o que aprendi – fez biquinho.

Eu e os vampiros presentes rimos – os humanos presentes certamente não puderam ouvir.

_Queridos amigos, estamos aqui hoje, na presença de todas essas testemunhas para unir Edward e Isabella na união do matrimônio. Uma união é eterna, sem fim, para todos os dias de suas vidas – e ele adicionou num sussurro: – E apenas lembrando que terão vários dias de suas vidas, então, Edward, é melhor não deixar sua esposa irritada. Acredite em mim, estou falando por experiência própria.

Eu ri, enquanto Edward encarava efusivamente o irmão.

_Isabella – continuou –, você vem aqui por vontade própria para casar com esse homem, quero dizer, ex-vampiro? – sussurrou a última parte.

O lado do meu noivo quebrou em risadas enquanto Renée e o resto dos convidados da noiva olharam através do corredor para os outros.

_Eu venho – respondi sorrindo.

_E você, Edward, você vem aqui por vontade própria para casar com essa mulher, mulher que você inicialmente queria matar… – O último comentário gerou um rosnado de Edward, e eu e os outros rir.

_Eu venho.

_Que as promessas que você façam um para o outro estejam vivas pelo resto de suas vidas – meu cunhado inclinou minha cabeça e murmurou: – E, novamente, relembro vocês que quando você é um vampiro ou híbrido, seu “para o resto da vida” é realmente um longo tempo, então é melhor você realmente querer dizer tudo o que falar aqui ou você pode terminar lavando a roupa, para sempre.

Sorrimos.

_Hoje, Isabella e Edward dão as boas vindas a suas famílias e amigos e algumas crianças realmente irritantes do colegial. Cada um de vocês contribuiu com alguma coisa na vida deles. É justo então que vocês compartilhem desta celebração para a união de ambos e o começo da vida no casamento.

E assim correu a cerimônia – com algumas palhaçadas de Emmett e comentários maldosos. Nossos votos foram simples, palavras tradicionais que já foram ditas milhões de vezes, apesar de nunca por um casal como nós. Nós apenas pedimos ao nosso irmão para fazer uma pequena mudança. Ele concordou em trocar a frase “até que a morte nos separe” por uma mais apropriada: “enquanto nós dois vivermos”.

Eu não me dei conta de que estava chorando até a hora de dizer as palavras tão esperadas.

_Eu aceito – eu consegui botar pra fora num sussurro quase inaudível, piscando para conseguir ver o rosto dele.

Quando foi a vez de Edward de falar, as palavras soaram claras e vitoriosas.

_Eu aceito – ele jurou.

_Isabella e Edward, vocês trocaram os votos e as alianças e consentiram em casar diante de suas famílias e amigos. Pelo poder que me foi concebido, eu agora vos declaro marido e mulher.

Eu e Edward olhamos sugestivamente para Emmett e Rosalie murmurou:

_Beijo…

_Ah, claro. Desculpe, Edward. Você pode beijar a noiva!

As mãos de Edward se ergueram para segurar o meu rosto, cuidadosamente, como se ele fosse delicado como as pétalas brancas balançando sobre nossas cabeças.

Eu tentei compreender, apesar da quantidade de lágrimas me cegando, o fato surreal de que essa pessoa incrível era minha.

Ele abaixou sua cabeça em direção a minha, e eu fiquei na ponta dos pés, jogando meus braços – com buquê e tudo – ao redor do pescoço dele.

Ele me beijou ternamente, me adorando; eu esqueci a multidão, o lugar, o tempo, a razão… Lembrando apenas que ele me amava, que ele me queria, que eu era dele.

Assim que nossos lábios se desencontraram, Edward ajoelhou-se diante de mim, beijando minha barriga – nosso bebê – amorosamente, provocando assovios e aplausos de nossos convidados e um singelo sorriso de meus lábios.

_Eu amo você – sussurrei quando ele levantou-se secando minhas lágrimas.

_Eu amo você – também sussurrou, beijando minha testa e virando nossos corpos para encararmos nossa família e amigos, finalmente, como marido e mulher.

 

—–

gostaram? estavam com saudades que nem eu? *———*

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2 responses

2 11 2010
karla

NOSSA PENSEI QUE NUNCA MAIS EU IA LER PLUS,ESTAVA MORRENDO DE SAUDADE .AMEIIIIIIIIIIII O CAPITULO.KKKKKKKKK

2 11 2010
Lia

OMR! Pensei que ela tinha esquecido que têm um fic para terminar, curiosidade me matando aqui *-* OPDSAKDPOASKD. Ah, saudades disso. Quero maaaais ++++ D:

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