Closer – Capítulo 37

3 11 2010

Minha mãe começou a me puxar para longe deles, e eu achei que ela estivesse me levando para lá. Mas no momento que comecei a sentir um cheiro de talco, entendi para onde ela me levava.

Paramos de frente para o vidro do berçário, e lá estavam vários bebês em seu tranquilo sono. Eu já estava mais calmo, mas minha cabeça ainda girava.

“Vem comigo.”

A acompanhei por mais um corredor, e entramos em um berçário menor, no qual só haviam dois bebês. Uma enfermeira nos viu pelo vidro da porta, e obviamente me reconhecendo, fez um gesto para que eu entrasse.

“Fique calmo por eles, Robert. Eles precisam de você. Vai dar tudo certo meu filho. Tenha força.”

Segurei o choro que queria romper de dentro de mim, e segui a enfermeira para que eu pudesse me limpar, e chegar perto dos meus filhos.

Lá estavam aquelas duas coisinhas branquinhas, enroladas em mantas brancas dentro da incubadora. Nathan, e Sophie. Sorri ao vê-los, e deixei as lágrimas que prendia caírem de meus olhos. Eles eram tão lindos. Tão reais.

Passei meu dedo de leve no rostinho deles, e eles começaram a se mover.  Minhas grandes mãos eram um contraste tão grande diante daqueles seres tão delicados.

Senti falta de Kristen ao meu lado, e comecei a me perguntar se ela teve a chance de vê-los. De tocá-los. Meu coração se apertou, e com muita relutância eu saí de perto deles. Senti uma falta absurda dela, e resolvi me despedir dos meus pequenos, e voltar para saber sobre a mãe deles.

“Você viu, meu filho, como eles são lindos?”

“Vi mãe.”

“Por favor, não fique assim. Você está me matando Robert.”

“Cara, daqui a pouco a Kristen vai estar aqui brigando comigo de novo. Você vai ver só.” – Tom tentava fazer piadas, mas eu não tinha ânimo para rir.

“Eu sei gente. Ela vai, eu não vou deixá-la escapar assim. Mas é que… Porra, eu estou assustado. Ela é um pedaço de mim. Se ela não está bem, eu também não estou. É difícil.”

Eles assentiram, e ficaram em silêncio.

Mas que porra eu estava fazendo sentado aqui? Eu precisava ver a Kristen! Precisava ver com meus próprios olhos como ela estava.

Levantei agitado da cadeira, assustando os outros, e, como se soubesse o que eu fosse fazer, minha mãe se colocou na minha frente.

“Não vou deixá-lo fazer nenhuma besteira.”

“Eu tenho que vê-la! Eu preciso!”

“Eu sei Robert, mas espere o médico vir falar com você. Ele virá em instantes. Seu pai o chamou enquanto estávamos lá dentro.”

“Então cadê ele? Por que não apareceu ainda?”

“Procurando por mim?” – Um rapaz com não mais de 30 anos apareceu ao nosso lado.

“Sim Doutor Egan.”

“Esse é o médico que está cuidando da minha Kristen?”

“Robert!”

“Tudo bem Senhora Pattinson. Já estou acostumado com essa reação. Deixe-me contar minha história a ele.” – E eu lá estava com paciência para ouvir! Mas não tive escolha. – “O único paciente que perdi, foi minha própria mãe. Quando ainda fazia residência, e acompanhava um dos mais respeitados médicos da Europa. Depois desse dia, me empenho o máximo que posso para não deixar que outros percam seus entes queridos. E tive sucesso em todos os casos. Mas se ainda assim, preferir que outro cuide de sua esposa…”

“Meu Deus! De-des-desculpe por isso Doutor.” – Passei a mão pelo cabelo sem graça. – “Eu não costumo ter esse tipo de reação. Quem sou eu, para julgar os outros? Eu só… Só estou assustado para a porra com tudo isso… Por favor, me desculpa.” – Ele assentiu entendendo, e eu continuei. – “Eu não posso perder a minha pequena. Eu preciso dela comigo. Me ajuda, por favor.”

Minha mãe colocou uma mão no meu rosto, e o médico apontou para que nos sentássemos.

Doutor Egan me explicou que Kristen precisou fazer uma cesariana de emergência, e que no meio dela, surgiram algumas complicações, que ela perdeu muito sangue e acabou tendo uma parada cardíaca, mas que foi reanimada logo em seguida.

Eu olhava para ele me explicando o restante, mas não conseguia me concentrar. Nada do que ele dissesse tiraria o meu medo de perdê-la. Só quando ela estivesse nos meus braços novamente, com os nossos filhos, eu ia respirar de novo.

Confirmei o que quer que ele tenha perguntado para mim antes de levantar, e fiquei por mais não sei quanto tempo olhando para o nada. Divagando.

Ouvia as pessoas falando ao meu redor, mas não queria responder. Não conseguia. Eles falavam sobre tudo, e sobre nada. Eram zumbidos inúteis. Nenhum era a voz da minha pequena.

Porra!

Não aguento mais!

“Vou ao banheiro.”

Achei que tivesse visto um banheiro quando fui ao berçário, mas não sei se me enganei, ou se ignorei o banheiro, acabei parando na mesma porta de antes, olhando para a enfermeira segurando um dos bebês, que chorava.

Quando voltei a mim, notei que eu havia tirado a criança do colo da enfermeira, e estava embalando-a.

Foi um momento meio estranho, porque eu me senti meio Edward Cullen. Aquela pessoinha pequenininha, tão frágil nas minhas enormes mãos. Fiquei com medo de segurar no lugar errado, apertar forte demais, e quebrá-la.

Fiquei de pé, me balançando enquanto via os olhinhos claros serem fechados, e o único som da sala ser a minha voz cantarolando.

“Senhor, eu devo colocá-lo de volta.”

“Então esse é o meu menino.”

“Sim.” – Olhei para aquele rostinho lindo, e ri como um bobo.

“Seja bem-vindo Nathan, meu amor. Eu prometo que logo sua mãe estará aqui conosco. Eu prometo.”

O entreguei à enfermeira, e lembrei da corrente no meu pescoço. A tirei, e parti os dois pedaços.

“Será que… Eu posso deixar com eles? Perto deles?”

“Claro, dê-me aqui.”

A enfermeira colocou cada uma junto de seu respectivo dono, e eu tive que sair de volta para o marasmo da sala de espera.

Não mesmo!

Olhei as placas do hospital, e segui confiante pelo corredor à caminho da UTI.

Eu acho que pela primeira vez fiquei feliz por deslumbrar as pessoas, e fazê-las me olharem sem reação. Passei por corredores que tenho certeza que não poderia passar, e cheguei à porta que tanto queria.

Respirei fundo ao ler as enormes letras vermelhas pintadas, e segui em frente.

As pessoas começaram a me olhar de forma estranha, mas as ignorei. Ninguém ia me impedir de ver Kristen agora.

Avistei um leito mais escondido dos outros, com uma enfermeira sentada em uma cadeira ao pé da cama. Só podia ser aquele. Aproximei-me e a mulher quase teve um infarto.

“O senhor não pode estar aqui.”

“Eu sei eu só…” – Olhei para Kristen na cama, e me desesperei. – “Ela está tão frágil. Vocês a estão medicando direito?”

“Senhor, eu vou ter que chamar a segurança.”

“Espera…” – Como se eu já não fosse um chorão, as lágrimas vieram novamente pelo meu rosto, e a mulher começou a se acalmar. – “Por favor. Deixe-me olhar direito para ela. Eu preciso saber que… Que ela… ainda está v-vi-viva.” – Segurei meu cabelo angustiado. Eu não podia perdê-la! – “Que o coração dela ainda bate aí dentro. Não me tire aqui agora. Por favor. Eu te peço, eu te imploro.”

“Mas Senhor…”

“Eu pago! Eu faço o que for! Mas deixe que eu me aproxime dela. Só um minuto.”

A mulher teve compaixão, ou algo parecido, e se afastou. Eu peguei a cadeira que ela antes estava sentada, e coloquei ao lado da cama.

“Kristen, amor, eu não sei se você pode me ouvir…” – Toquei a mão dela com uma agulha pendurada, e fiz carinho nos dedos. Eu queria que fosse como em um filme agora, e ela apertasse meus dedos, e acordasse para mim. – “Você não faz idéia de quantas regras quebrei para estar aqui. Aliás, nem eu sei. Mas, quem se importa?” – Era sempre tão fácil estar perto dela. Ser eu mesmo. – “Acorda, amor. Fique boa logo. Eu preciso de você aqui comigo. Nossos filhos… Eles são tão lindos. Você tem que vê-los. Eles não puderam colocar as correntinhas ainda, mas elas já estão lá com eles. Acorda Kristen, por favor. Volta para mim meu amor, não faz isso comigo. Não me deixe. Eu te amo tanto. Eu não vou aguentar.”

Conforme eu ia falando, ia me desesperando.

Ela não me respondia.

Aquela não era a minha Kristen.

Eu queria a minha Kristen de volta.

Olhei todos aqueles fios, aquelas agulhas, os aparelhos, os tubos, os barulhos… Uma angústia cresceu dentro de mim, e eu tive vontade de gritar, de tirar tudo dela, e pegá-la no colo. Correndo para fora dali.

Não sei o que aconteceu, mas em um minuto eu estava sentado olhando para Kristen deitada, e no outro eu estava de pé, e o Doutor Egan estava me tirando de perto dela.

“Senhor Pattinson, por favor, fique calmo.”

Voltei a mim, e vi que estava debruçado na cama, com as duas mãos no rosto de Kristen.

Lentamente o médico foi tirando minhas mãos, e me levou de volta para fora dali.

Minha mãe estava com os braços esticados, e eu corri para o colo dela.

“Ela não…”

“Eu sei filho, eu sei.”

Voltamos para a sala de espera, eu como uma criança, agarrado à minha mãe, e ficamos lá, sem poder fazer nada. Sentei na porra da cadeira, e fiquei batucando nas pernas inquieto. As enfermeiras vieram pedir para eu parar, e saí bufando para o lado de fora, para a varanda dos fumantes.

Tantas vezes usei o cigarro como fuga dos meus problemas, para me acalmar. Fiquei ali sentindo aquele familiar cheiro.

Momento perfeito para uma recaída.

Fechei os olhos inalando a fumaça dos outros, enchendo os meus pulmões.

Maldita hora! Comecei a lembrar dos momentos que fugíamos para fumar, do cheiro dela misturado ao cigarro… Apoiei as costas na parede, e fui caindo até chegar ao chão. Caí sentado com as mãos no cabelo, chorando.

Depois de um tempo, Tom apareceu, e sentou ao meu lado. Ele só deu duas batidinhas no meu joelho, e ficou ali comigo. Fiquei mais confortável com o apoio. Mas ainda não era quem eu queria.

“Ela não pode me deixar.”

“Ela não vai cara.”

“O que vai ser de mim? Dos nossos filhos?”

“Não pense nisso. Ela vai sair de lá.”

“Eu não posso viver sem ela. Já passei por isso, e não foi nada bom. Foi péssimo, terrível! Parecia que uma parte de mim tinha morrido. É como eu me sinto agora. Metade de mim está naquela cama, desamparada,…”

“Ela não está desamparada.”

“… e a outra metade está aqui, sofrendo por ela. Pedindo para ter os sorrisos de volta, os toques, os momentos de amor, as brigas…” – Comecei a chorar novamente, e Tom passou um braço pelos meus ombros.

“A Kristen vai voltar cara. Ela vai voltar.” – Ele também chorava, e isso só me fez ficar pior.

Ficamos os dois ali no chão, enquanto Tom tentava, em vão, me consolar.

Os minutos foram passando, as horas, as pessoas entravam e saiam, passavam pelo corredor, e nós continuávamos lá.

Tom arrumou força não sei aonde, para tentar melhorar o ambiente.

“Se Kristen aparecesse aqui, ia falar que eu estou tentando te roubar dela. Ia falar que somos dois viados se agarrando, e ia manda eu tirar minhas patas de cima do homem dela.”

“E eu iria te empurrar para longe, e correr para ela.” – Falei com um sorriso fraco.

Minha mãe apareceu na porta, e nos mandou entrar porque já estava esfriando.

Eu já estava irritado por ter que voltar, e sentar naquelas porras daquelas cadeiras da sala de espera de novo.

Eram ainda 22h, e eu sentei na cadeira do lado do meu pai, e tive que ficar ali, “quieto”. As enfermeiras que não viessem reclamar do meu barulho de novo.

Eu havia pego no sono, e acordei abraçado à Lizzy, que ocupava a cadeira onde meu pai estava.

Sentei direito na cadeira, e ela me encarou com os olhos vermelhos e marejados.

“Voltei agora a pouco. Você começou a ter pesadelos aí. Nossa mãe me ligou, e eu fiquei preocupada.”

Tentei lembrar o que era, mas logo desisti. Se tinha sido um pesadelo, eu não me importava em saber.

“Você estava com ela… lá dentro. Como… foi?”

“Apesar do parto ter sido inesperado e ser delicado, estava tudo indo bem. Mas de repente, os médicos começaram a se olhar, e murmurar coisas que eu não entendia. Eles começaram a ficar agitados, alguns aparelhos começaram a apitar, e uma enfermeira veio me tirar de dentro da sala antes que eu pudesse entender o que estava acontecendo. Eu estava com ela sorrindo ali, e de repente…”

“Ela não viu os bebês.”

“Não. Não deu tempo.”

Ficamos chorando em silêncio.

Puxei o braço dela para ver as horas, 5h.

Porra, eu tinha dormido demais.

Levantei da cadeira para não ter como dormir de novo.

“Por que vocês me deixaram dormir? O doutor Egan falou mais alguma coisa? Cadê ele? Como a Kristen está?”

Meus pai levantou de onde estava, e foi pedir para chamarem pelo médico.

Andei de um lado para o outro por uma hora e meia, até que ele apareceu. Avancei em cima dele, desesperado por informações.

“Bom senhor Pattinson…”

“Robert, por favor.”

“Ok Robert, acho que sua invasão na noite de ontem não foi de todo o mau. Sua esposa teve uma significativa melhora essa noite.” – Eu ri aliviado. – “Ela ainda não está 100%, e ainda não podemudar para um quarto, e receber visitas. Vamos fazer mais alguns exames, acompanhar o estado dela durante o dia, e se a recuperação dela continuar nesse ritmo, creio que logo, você a terá ao seu lado de novo.”

“É sério?”

“Eu não dou esperanças em vão, Robert.”

Sorri como um bobo, e abracei minha irmã, e, pateticamente, o médico.

“Obrigada doutor.”

“Bom vê-lo animado. Eu estava quase pedindo o apoio da psicóloga da UTI para você.”

“Não, não precisa. Eu estou bem. Não, mentira, eu não estou. Mas eu não vou invadir nada. Não precisa chamar ninguém.”

“Posso confiar em você? Você colocou muitos pacientes em risco, perambulando pelo hospital.”

“Perdão! Nem eu sabia o que estava fazendo. Pode confiar.”

“Tudo certo então. Agora vocês me dão licença.”

Doutor Egan saiu, e minha mãe veio me abraçar.

“Eu falei que ia ficar tudo bem!”

“Eu achei que ela fosse me deixar.”

“Claro que não, meu filho. Já mandei você parar de pensar nisso!”

Fiquei sentado com o Lizzy, enquanto os outros saíram para comer alguma coisa na lanchonete do hospital. Eu não queria sair daqui, ir para longe, e perder alguma notícia.

—–

E ai o que acharam, amanha tem mais =D

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7 responses

3 11 2010
Maah campelo

Ain que Pena do Rob ..Tomara que a Kris Fique Booa Logo!

3 11 2010
Maiara

AINN que peninha dele, Espero que a Kiki acorde logoo pra ver os filhinhos deles *-*. agora eu não entendi, no outro cap. o nome dos filhos eram Henry e Rachel agora é Nathan e Sophie :/ confusão

3 11 2010
Cida

QUE LINDOOOOOOOOO…. PRA VARIAR PEEFEITA!

3 11 2010
NHMT '

AMANHÃ? DD: porque não pode postar extras?

3 11 2010
Livia Carolina

Tô chorando aqui!
Literalmente!

4 11 2010
karlla cullen pattz

aaaaaain fica assim não rob a kris vai melhorar

4 11 2010
pri

to confusa por que mudaram os nomes do bebês ,mais ficou muito melhor,ta ficando cada vez + lindo

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